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VALE A PENA FAZER UM CURSO PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS?
O que você acha de fazer um curso preparatório? É eficiente investir o tempo e outros recursos num curso preparatório? Você tem a compreensão do papel do curso preparatório e da importância que irá desempenhar no seu processo de preparação para o concurso público?
Não é incomum que muitos candidatos tenham dúvidas sobre a conveniência de ingressar num curso preparatório. Geralmente sou provocado a responder perguntas desta natureza por parte de leitores do meu livro (“Concursos Públicos Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional”, Ed. Atlas), usuários do SISTEMA TUCTOR, alunos em sala de aula ou em palestras e inclusive ouvintes do meu quadro sobre Concursos Públicos na Rádio Justiça.
Enquanto professor, percebo em sala de aula e nos pátios dos cursinhos muitos candidatos que buscam o curso preparatório por não saberem como estudar ou por onde começar. Existem também aqueles que se matriculam em função da publicação do edital do concurso público.
Este último comportamento é manifestado pelos candidatos que considero integrantes do grupo que denomino “reféns do edital”. Ou seja, se mobilizam apenas em função da publicação de editais. Lamentavelmente, a dinâmica das grades dos cursos preparatórios, bem como o marketing e o faturamento, são bastante influenciados pelo referido comportamento. E digo lamentavelmente tanto pelo candidato, quanto pela instituição do curso preparatório.
Para uma conclusão e avaliação adequada, voltada à busca de uma decisão eficiente, a primeira premissa fundamental consiste na compreensão sobre o próprio processo de preparação para o concurso público. Conforme venho sustentando de maneira reiterada, é preciso encarar a preparação enquanto um empreendimento de natureza cognitiva e intelectual.
E isto significa desenvolver um processo de estudos e implementação de esforços de modo estratégico, eficiente e racional. Trata-se da postura inerente ao que denomino “Candidato de Alto Rendimento”. Ou seja, é preciso que o candidato conte com um planejamento, estruturado a partir de elementos estratégicos e táticos. Os primeiros consistem em aspectos fundamentais estabelecidos no âmbito decisório, ao passo que os elementos táticos envolvem os meios de implementação do planejamento firmado no âmbito estratégico.
Portanto, a decisão acerca da conveniência de freqüentar um curso preparatório para concursos, enquanto atitude maximizadora de esforços voltados à busca da aprovação, pressupõe a compreensão dos elementos apontados.
Mas para o desenvolvimento do referido processo decisório, também é de grande importância que o candidato compreenda os possíveis modelos e formatos de cursos preparatórios existentes atualmente. A identificação dos referidos modelos pode ser realizada a partir da sistematização de alguns critérios:
1 – quanto ao sistema de transmissão da informação:
- cursos presenciais: trata-se do modelo tradicional, no qual a informação é transmitida presencialmente pelo professor no ambiente de sala de aula, a qual é ocupada também presencialmente pelos alunos. No referido modelo as aulas contam com horário e local definidos;
- cursos satelitários: há uma ocupação de sala de aula presencialmente pelos alunos, porém, o professor transmite a informação por meio de equipamentos audiovisuais, os quais são assistidos pelos alunos. Ou seja, há um equipamento que apresenta a aula do professor, a qual pode estar sendo transmitida ao vivo ou ter sido gravada em outro momento.Neste modelo, da mesma maneira que ocorre com o curso presencial, as aulas contam com horário e local definidos;
- cursos web: o presente modelo, de forma semelhante ao satelitário, não conta com a presença física do professor. Por outro lado, também não há a ocupação coletiva de espaço físico por parte de alunos, inexistindo ainda a definição de local e horário para o contato com a informação a ser transmitida. Ou seja, o aluno assiste de onde bem entende, no momento em que considerar mais adequado, precisando apenas de um computador e de conexão de Internet.
2 – quanto ao conteúdo:
- genérico: envolve um conjunto amplo de matérias e conteúdos, definidos conforme o edital do concurso, ou tendo um caráter mais genérico stritu sensu, correspondendo a um programa que possa ser cobrado em vários concursos;
- por matérias ou modular: neste caso o aluno tem contato apenas com as matérias especificamente contratadas;
3 – quanto à abordagem do conteúdo:
- conceitual/teórico: as informações são desenvolvidas com uma abordagem conceitual, seguindo uma seqüência lógica e cadenciada da matéria;
- resolução de exercícios: os conteúdos são desenvolvidos de forma à solucionar os exercícios, não havendo necessariamente uma seqüência lógica de conteúdos, vez que a esta seqüência é determinada pelos exercícios.
Diante destas possibilidades, é preciso que o candidato desenvolva um diagnóstico de suas condições e contexto, procurando identificar não apenas a conveniência do curso preparatório, como também o modelo mais eficiente, diante da realidade levantada.
Não há dúvida de que numa análise comparativa entre o curso preparatório e o estudo bibliográfico existem diferenças significativas, principalmente em termos de processos cognitivos mobilizados. Isto é, a apropriação da informação ao estudar numa biblioteca tende a não ser a mesma ocorrida ao estar numa sala de aula assistindo o professor.
Segundo uma das mais respeitadas construções da psicopedagogia contemporânea, o processo de aprendizagem se desenvolve em quatro etapas, quais sejam: input, cognição, output e retroalimentação. A primeira (input) consiste no contato com a informação, a segunda (cognição) envolve a compreensão da informação, já a terceira (output) corresponde à exteriorização da informação, sendo que a última (retroalimentação) consiste na reiteração do contato com o objeto da aprendizagem.
Assim, se o aluno entra sala de aula e ouve o professor falar, mas não se esforça para entender, significa que a primeira etapa foi alcançada, mas não se chegou na segunda. Por outro lado, se anota o que o professor diz, mas não entendeu o sentido da explicação, teoricamente, foi para a terceira etapa sem passar pela segunda, o que tende a significar ineficiência no processo de apropriação da informação.
Independente destas ponderações, o fundamental é que o candidato ao concurso público avalie qual o processo cognitivo considera mais eficiente, em termos de apropriação das informações e disponibilidade destas no momento da prova. Vale destacar que este, ou seja, disponibilidade das informações solicitadas no momento da prova, consiste no objetivo de qualquer preparação para o concurso público.
Outro aspecto relevante consiste no papel que o curso preparatório irá desempenhar. Conforme sustento no meu livro, proponho uma metodologia de preparação baseada em duas etapas. Uma primeira seria voltada a um processo de apropriação primária, envolvendo a construção dos pilares cognitivos fundamentais,n isto é, consiste naquilo que normalmente é chamado de conhecimento-base. Já a outra seria voltada à manutenção e aperfeiçoamento das informações apropriadas na primeira fase.
Neste sentido, em termos táticos, minha proposta é de que a primeira etapa seja desenvolvida por meio do estudo bibliográfico. Já a segunda fase considero comportar a realização de cursos preparatórios.
No entanto, reconheço que algumas matérias contam com dificuldades para o estudo bibliográfico individualizado. Por exemplo, ao estudar matemática financeira e estatística na pós-graduação que desenvolvi em Administração Financeira, me convenci de que não teria condições de me apropriar dos referidos conteúdos de maneira individualizada. Talvez isto decorra do fato da minha formação de graduação ter sido na área do Direito. Talvez não.
Mas o fundamental é que o candidato procure refletir sobre o seu processo de preparação, suas condições e os possíveis modelos e papéis que podem ser exercidos pelo curso preparatório, de modo a tomar uma decisão eficiente.
Não tenho dúvida de que o curso preparatório tem o seu papel e a sua importância. Mas também não tenho dúvida de que não é a solução para todos os problemas. Não tenho dúvida de que não é a fórmula do sucesso que vá garantir a aprovação.
Em certa ocasião vi um ex-colega professor afirmar que dizia aos alunos para saírem da sala de aula e irem para a biblioteca, pois só assim passariam no concurso público. Algum tempo depois, este mesmo ex-colega se tornou um empresário de cursos preparatórios, tendo eu ministrado aulas durante certo período na sua instituição. Ao me apresentar para uma turma, assisti este mesmo ex-colega, na minha frente, afirmar aos alunos para não irem para a biblioteca e ficarem “aprendendo de verdade na sala de aula”.
Não obstante a falta de coerência – e talvez até de ética, não considero que estivesse correto nem quando assumiu o primeiro personagem, tampouco quando assumiu o segundo.
O que não é correto é o candidato buscar o curso preparatório por não saber como se planejar, como estudar ou pelo fato de ter sido publicado um edital. O fundamental é que o candidato, assumindo a atitude do “Candidato de Alto Rendimento”, tenha uma compreensão estratégica e tome uma decisão eficiente e racional. E com isto, estará dando passos de grande importância para que possa visualizar o seu nome na lista dos aprovados.
Bons estudos, boa decisão, boas aulas e sucesso na busca da aprovação!!!
ROGERIO NEIVA
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