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A primeira pessoa que me falou sobre a conveniência de ser criada uma associação para defesa a apoio aos concursos foi Vicente Paulo, há alguns anos.
Eu achei a ideia ótima, até porque já vinha desejando unir os concurseiros, e quem mais tivesse interesse pelo assunto, em torno de alguns pontos essenciais. A ANDACON nasce fruto do profissionalismo, desprendimento e bom coração do Vicente Paulo e de todos os que a ele se juntaram, os quais também elogio nesse momento.
Defender e apoiar os concursos ultrapassa, em muito, o interesse individual dos concurseiros e também das pessoas e empresas que elegeram atender a esse público. A seleção adequada, feita pelo mérito e não por métodos escusos ou pessoais, é a maior garantia de: (1) que qualquer cidadão possa participar da administração pública – o que tem tudo a ver com uma República; e (2) que os cidadãos serão atendidos pelas pessoas mais capazes. Ao contratar servidores pelo mérito, em seleções públicas e abertas a todos os brasileiros, também diminuímos o espaço para os favores e negociatas por parte dos governantes, os quais sempre são feitos com os bolsos do contribuinte.
Uma associação de concurseiros sempre foi um sonho para mim, e Vicente Paulo deu seguimento a ele. Quando o assunto surgiu, de imediato a ele se aliou outro expoente da área, o Professor Mauro Lasmar que, como poucos, une a genialidade ao bom coração. Em um primeiro momento foi criada a ANPAC, que tem prestado relevantes serviços ao país e aos concursos. Participei da criação da ANPAC e, agora, me alegro em participar da ANDACON. Por terem engenharias operacionais diferentes, creio que as duas associações serão nao só reciprocamente úteis como também potencializarão todo o trabalho que a sociedade e interessados têm feito em prol do "sistema concurso público".
A ANDACON, que é criada com um foco diferente e inovador, vem se somar a todos, do concurseiro ao professor, do empresário ao cidadão que acredita no concurso, do governante sério aos outros que militam na área, como à própria ANPAC, defendendo uma única ideia: o concurso público.
Naturalmente - e isso consta do código genético da ANDACON -, nossas pretensões não se esgotam no concurso. Elas incluem o treinamento, aperfeiçoamento e valorização do servidor público, não como um fim em si, mas como instrumento do aperfeiçoamento do país, da República e dos nossos anseios por igualdade, justiça e progresso.
Sou um entusiasta dos concursos e do serviço público. Embora tenha vários interesses, não só a vida, como minha própria fé e gosto, vieram me aproximando cada vez mais desse grupo de pessoas, os concurseiros. Sou um, continuarei sendo, e sempre quero estar a serviço deles. E, por isso, havendo uma associação tão bem nascida, arquitetada e construída, não poderia deixar de ser dela um participante e colaborador.
A ANDACON é merecedora de todos os elogios e crédito, e vem a lume para se unir a todo o esforço já empreendido em favor dos concursos públicos, de sua lisura, transparência e aperfeiçoamento. As ideias desenvolvidas são excelentes, e incluem uma nova e bem pensada gama de serviços e facilitadores para ajudar os concurseiros nesse momento especial de suas vidas, quando – no ato de arar, semear e cultivar a terra – vivem dias difíceis, trabalhosos e, no mais das vezes, longos. Saber que podem contar com o apoio extra da ANDACON é uma notícia muito boa.
Assim, a todos que engendraram essa boa criatura, transmito minhas congratulações e, tanto como servidor público, quanto como cidadão, meus agradecimentos.
Então, por tudo, desejo vida longa e cada vez maior sucesso à ANDACON!
Embora dizer isso já fosse o bastante, o vício da advocacia e da tribuna, do qual nunca me curei, ou sequer quis curar, me leva a fazer mais alguns comentários.
Este é um país curioso. Coisas que deveriam gerar indignação, a ponto de levar o povo às ruas – como mensalões, nomeações e contas secretas –, não recebem a repercussão devida; e a pouca obtida se esvai logo no próximo escândalo. Outras coisas, que deveriam ser comemoradas, geram um desconforto e até críticas ácidas de pessoas que, quando menos, não entendem muito do assunto que se arvoram a falar.
A função de “guru dos concursos”, título gentilmente deferido pelos colegas, e a atuação constante na área, têm me levado a ser frequentemente objeto de entrevistas da mídia. Além das perguntas comuns sobre como se preparar e quais os caminhos para o sucesso nesse desafio, são constantes as indagações sobre a “indústria dos concursos”. O jeito como se fala nessa indústria, a entonação, até as expressões faciais, dão a quase certeza de que aos que entrevistam, que representam nada mais do que a projeção da sociedade, parece que é ruim haver uma tal de “indústria dos concursos”.
Isso já acontecia antes, quando se falava na “indústria das liminares” no Poder Judiciário, ao que eu respondia que esta indústria confirmava que pelo menos estávamos, nós, os juízes, trabalhando, e que a mesma nada fazia senão processar a indústria terrível e, essa sim lamentável, que havia no Executivo: a indústria de inconstitucionalidades, ilegalidades e injustiças.
Pois não é que agora vivem me perguntando sobre a outra “indústria” (a dos concursos), e mais uma vez com ares de que não é coisa boa?!
Isto tem a ver com a cultura de nosso país, avessa à produção, ao empreendedorismo e admirar a quem trabalha. Pesquisas mostram que o brasileiro acredita que o sucesso decorre mais da sorte, do casamento ou da corrupção, do que do estudo ou do trabalho. A riqueza tem sido vista como indício de desonestidade. Um novelista “global” chegou a dizer que ser milionário, neste país, é algo que gera ódio. Nessa linha, também já se concluiu que, por aqui, “sucesso é ofensa pessoal”. Outras pesquisas mostram que o brasileiro acha que as empresas devem prestar serviços sociais e fazer filantropia, bem como assumir tarefas que incumbem à Administração Pública. Gerar riqueza, empregos e tributos não aparece como o que se espera de uma empresa. Problemas sérios, estes. E dentro desse caldo de cultura, falam mal da indústria dos concursos.
Então, mais uma associação sobre concursos – ainda mais esta, que vem com ideias e projetos inovadores – talvez acenda outra vez o tema e, por isso, desde logo me apresso a abordá-lo.
Sim, existe uma nova indústria, e boa, a tratar desse espaço que foi criado pela instituição dos concursos públicos como forma prioritária de acesso aos cargos e empregos públicos. As pessoas querem se preparar para as provas. Ainda bem que surgem pessoas e empresas para atender a estas necessidades! Pior era antes, onde não havia como se querer estudar para concursos, pois os cargos eram preenchidos pelos amigos, parentes, cônjuges, sobrinhos, netos, cunhados, cabos eleitorais, ou até por quem se dispusesse a dividir com o chefe ou autoridade uma parte, em geral considerável, da remuneração mensal a que teria direito.
A chamada indústria dos concursos serve aos concurseiros, sim, mas muito mais ao país, pois, ao aumentar o nível dos candidatos, permite que a Administração Pública possa selecionar os melhores. Se as exigências e requisitos, se os conteúdos programáticos forem bem escolhidos, isso fará com que o serviço público seja cada vez melhor, em benefício do titular do Poder, o povo.
As esperanças de um país mais justo são depositadas, em boa parte, na existência de servidores competentes, dedicados e probos. Escolhê-los pelo mérito e entre o próprio povo é, para tanto, um bom começo, embora não seja, por si só, uma garantia senão da competência e da capacidade técnica.
Além de servir aos concurseiros e, por extensão, à Administração Pública e a quem dos seus serviços necessita, a chamada “indústria dos concursos” representa palco para o surgimento de excelentes professores. Em nosso ramo não oferecemos diplomas nem títulos, e não somos cobrados por nada senão por resultados imediatos. Lidando com pessoas, em geral, já mais amadurecidas, muitas já cansadas da lida do dia e sem nunca terem estudado as matérias exigidas nos editais, os professores dos cursos preparatórios estão no topo de uma elite que é exigida de forma dura, constante e profunda. Não bastasse isso, os cursos, editoras, sites e jornais especializados representam fonte de trabalho, tributos, geração de riqueza e de oportunidades profissionais para milhares de pessoas. Pessoas que estão a serviço de outras, a serviço do ensino, da educação e de uma nova forma de empregabilidade voltada para o serviço público.
A onda dos concursos também está gerando um novo efeito. Os concursos não discriminam a mulher, o negro, o homossexual, o pobre, muito menos aquele que não ostenta uma “boa aparência”, qualquer que seja o conceito que se tenha dela. O deficiente físico não só não é discriminado como recebe um espaço de compensação (a reserva constitucional de vagas nos certames).
As vantagens oferecidas pelo serviço público, um bom empregador, servem atualmente como contraponto e desafio para as empresas privadas, que já se preocupam em como atrair os melhores talentos. O serviço público hoje é bastante sedutor.
No geral, remuneração, qualidade de vida e sentido de serviço ao próximo transformam o serviço público em uma excelente opção. Ao contrário da iniciativa privada, não oferece tantas oportunidades de crescimento meteórico ou extraordinário a partir do cargo assumido, mas, se levarmos em conta a quantidade de pessoas que realizam isso na iniciativa privada, cujo funil de ascensão é enorme, e – em todos os casos – as angústias típicas dos empregos privados, podemos dizer que o concurso não deixa de ser uma excelente opção.
Não que a iniciativa privada não seja interessante, e muito menos que não seja necessária ao país. O que quero dizer é que não se pode afirmar, a priori, que uma opção seja melhor que a outra. São só opções, todas dignas, todas válidas, todas com suas vantagens e desvantagens.
Quem escreve aqui é um dos dez milhões de brasileiros que optou pela carreira pública e que dela tem orgulho. Orgulho de ser concurseiro; orgulho de ser servidor, Juiz Federal.
A meu ver, mais que tudo, o serviço público é uma bela carreira e, de tudo o que oferece, a oportunidade de servir ao próximo, sendo remunerado pelo governo, me parece a sua mais sublime característica. Naturalmente, o primeiro momento é aquele em que se pensa na estabilidade, remuneração, status e o que mais seja. Passada a primeira impressão, contudo, o que mais vale é saber que todos podemos ser servidores, se quisermos, e que fazê-lo nos dignifica e nos permite ser, para o país, filhos úteis.
Quero também manifestar minha alegria por estar na ANDACON não só ao lado de figuras já consagradas como Vicente e Marcelo, mas também ao lado de outros que já construiram uma carreira excelente e que são profissionais extremamente competentes e promissores. A escolha de Luciano Oliveira, por exemplo, para estar contribuindo na Associação foi das mais acertadas e certamente contribuirá para o sucesso do projeto e, em especial, daqueles que terão a oportunidade de lê-lo
Por tudo isso, sucesso e longa vida à ANDACON!
William Douglas
williamdouglas@andacon.org.br

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